quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

O SILÊNCIO DE UBIRACI E O MISTÉRIO DO TARUMÃ

Nas margens ancestrais do Rio Calçoene, o tempo já correu em sinfonia. Ali vivia Ubiraci, um curumim cujo coração batia no ritmo da floresta. Abençoado por Tupã, ele possuía o dom da "Grande Escuta": conversava com o sussurro das samambaias, entendia o dialeto dos peixes e traduzia o conselho das árvores milenares que tentavam tocar o céu. Para Ubiraci, o mundo não tinha segredos, apenas diálogos.

Tudo mudou em uma tarde de luz âmbar. Entre os reflexos das pedras, ele viu o que nenhum homem poderia possuir: a personificação da própria existência. Uma menina cujos cabelos eram cascatas vivas e cujos olhos guardavam o azul profundo do infinito. Suas mãos não apenas tocavam o mundo; elas o criavam. Seus dedos comandavam as marés e faziam brotar sementes do solo seco. Ubiraci, sem compreender que contemplava a face da Natureza, apaixonou-se pelo todo, tentando aprisioná-lo em uma forma humana.

Dominado por essa obsessão, o índio cometeu seu maior erro: parou de ouvir. Na ânsia de encontrar a amada por entre as nuvens e as profundezas dos rios, ele ignorou o canto dos pássaros e o chamado das raízes. O dom que Tupã lhe dera secou como uma fonte esquecida. Ubiraci tornou-se surdo para a floresta e mudo para as águas. Ele buscava a Natureza em todos os lugares, sem perceber que ela sempre estivera dentro dele e em cada brisa que lhe beijava o rosto.

sábado, 15 de novembro de 2025

CULTURA AFRO-BRASILEIRA

A contribuição dos africanos e seus descendentes que influenciaram sobremaneira a formação cultural brasileira. A presença africana e afro-brasileira é notável na família, no vocabulário, na religião, na música, na dança, na culinária e na arte.

Moleque, quiabo, fubá, caçula e angu. Cachaça, dengoso, quitute, berimbau e maracatu. Todas essas palavras do vocabulário brasileiro têm origem africana ou referem-se a alguma prática desenvolvida pelos africanos escravizados que vieram para o Brasil.

O fato de as escravas africanas terem sido responsáveis pela cozinha dos engenhos, fazendas e casas-grandes do campo e da cidade permitiu a difusão da influência africana na alimentação. São exemplos culinários da influência africana o vatapá, acarajé, pamonha, mugunzá, caruru, quiabo e chuchu. Temperos também foram trazidos da África, como pimentas, o leite de coco e o azeite de dendê.

No aspecto religioso os africanos buscaram sempre manter suas tradições de acordo com os locais de onde haviam saído do continente africano. Entretanto, a necessidade de aderirem ao catolicismo levou diversos grupos de africanos a misturarem as religiões do continente africano com o cristianismo europeu, processo conhecido como sincretismo religioso. São exemplos de participação religiosa africana o candomblé, a umbanda, a quimbanda e o catimbó.

Algumas divindades religiosas africanas ligadas às forças da natureza ou a fatos do dia a dia foram aproximadas a personagens do catolicismo. Por exemplo, Iemanjá, que para alguns grupos étnicos africanos é a deusa das águas, no Brasil foi representada por Nossa Senhora. Xangô, o senhor dos raios e tempestades, foi representado por São Jerônimo.

GANESHA: a história do menino que se tornou um deus

Conta um mito que Shiva, o deus das transformações, meditação e dança, iria fazer uma viagem em função da expansão de sua consciência, com práticas espirituais.

Então o deus acabaria por deixar sua esposa Parvati, a Deusa dos laços afetivos, maternidade e harmonia, em casa, para que pudesse concluir sua tarefa de peregrinar pelo mundo, praticando as suas atividades espirituais.

Sozinha em casa, Parvati sentiu que precisava de alguém que a protegesse, enquanto seu esposo Shiva estivesse fora.Por ser uma Deusa de encantos femininos e fertilidade, criou uma pasta e moldou uma criança que lhe fizesse companhia e fosse fiel às suas ordens.

Assim surgiu um menino que ao longo dos anos, crescia e se dedicava a mãe, fazia-lhe companhia e a protegia dentro de casa. Um dia quando Parvati fora banhar-se, pediu que o menino ficasse de guarda e ordenou que ninguém deveria passar pela porta, assim foi feito.

Mas nesse mesmo dia, Shiva retornava de sua longa jornada meditativa e ao chegar em casa, viu que um menino impedia a sua entrada. Shiva não entendeu o que havia acontecido, pois quando havia partido, esse menino não existia.

Insistiu em dizer ao menino que ele morava naquela casa, mas continuou a ser impedido. Shiva por ser um deus de destruição, ficou furioso com a situação e acabou cortando a cabeça do garoto, entrou em casa e foi tirar satisfações com Parvati, que quando viu o ocorrido, em desespero e furiosa determinou que Shiva de algum modo trouxesse o menino de volta a vida, pois aquele era o filho do casal.

Shiva se deparando com a verdade e desejando o perdão da esposa, fora atrás da solução para reviver seu filho. Como Shiva é um deus e transmuta as possibilidades, conseguiu dar vida ao menino outra vez, com a cabeça do primeiro ser vivo que encontrara, um elefante.