sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

A LENDA AMAZÔNICA DA FLOR DA SAMAMBAIA

Os antigos povos da Amazônia contam que a samambaia é uma planta encantada, guardada pelos espíritos da floresta. Ela nunca floresce como as outras plantas…

exceto em uma única noite do ano: a noite da Lua Grande, quando o céu fica prateado e os rios parecem espelhos.

Nessa noite sagrada, no coração da mata, nasce a Flor da Samambaia, brilhando como fogo de vaga-lume. Seu perfume é tão suave que só quem caminha em silêncio consegue senti-lo.

Dizem que a flor concede um dom especial a quem a encontra:

o poder de compreender os sinais da natureza —

o aviso do vento, a fala dos pássaros e o lamento das árvores.

Mas muitos que tentaram encontrá-la se perderam, pois a floresta só revela seus segredos a quem entra com respeito.

Certa vez, um jovem indígena chamado Araci saiu da aldeia guiado por um sonho. No sonho, um beija-flor dizia:

— A flor só aparece para quem não deseja riqueza, mas sabedoria.

Araci caminhou a noite inteira sem cortar folhas, sem fazer barulho, pedindo permissão à mata. Quando a lua chegou ao ponto mais alto do céu, ele viu um clarão azul entre as samambaias

Ali estava a flor encantada.

Araci ajoelhou-se e não tocou nela. Apenas agradeceu à floresta por sua beleza.

Então a flor se abriu como um pequeno sol e deixou cair uma gota de luz em sua testa. Naquele instante, Araci passou a entender o idioma da floresta:

O rio lhe ensinou a cuidar da água.

As árvores lhe pediram proteção.

Os animais confiaram nele seus caminhos secretos.

Quando a flor desapareceu com o nascer do dia, Araci voltou para a aldeia transformado em guardião da natureza. Tornou-se pajé e ensinou seu povo a viver em equilíbrio com a mata.

Desde então, dizem que: a Flor da Samambaia só nasce para quem tem coração limpo e respeito pela floresta e que quem tenta arrancá-la perde-se nos caminhos encantados da Amazônia.

E até hoje, nas noites de lua cheia, há quem veja um brilho azul entre as samambaias e escute um sussurro:

— Cuide de mim, e eu cuidarei de você.

Segundo o mito, esta flor desabrocha por um curtíssimo período na véspera do solstício de verão (celebrado em 21, 23 e 24 de junho ou, às vezes, em 7 de julho). Ela traz fortuna a quem a encontra. Em alguns contos, permite aos humanos compreender a fala dos animais. É zelosamente guardada por espíritos malignos e, embora quem consiga colhê-la possa receber riquezas terrenas, essa conquista sempre trouxe má sorte, por isso alguns a deixam em paz.


 

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