“O Homem Duplicado" explora a crise de identidade, o narcisismo e
a monotonia da vida moderna através de um homem, Tertuliano Máximo Afonso
(livro) , que descobre um sósia exato de si mesmo. A obra utiliza essa cópia
para questionar a individualidade, o livre-arbítrio e o "bom senso".
Tertuliano Máximo Afonso é um
professor de História, solitário, apático e emocionalmente distante da vida.
Sua rotina muda quando, por sugestão de um colega, assiste a um filme banal e
percebe que um dos atores secundários é fisicamente idêntico a ele, nos mínimos
detalhes.
Inicialmente, Tertuliano tenta
ignorar a descoberta, mas a ideia do duplo passa a dominá-lo. Ele aluga outros
filmes do mesmo estúdio até confirmar que o ator existe de fato. Após uma
investigação obsessiva, descobre o nome verdadeiro do homem: António Claro, que
no cinema usa o pseudônimo Daniel Santa-Clara.
O contato entre os dois acontece com tensão e desconfiança. António Claro reage de forma mais dominante, exigindo estabelecer quem nasceu primeiro, pois acredita que o “original” tem mais direitos do que a cópia. A revelação de que António nasceu antes cria uma hierarquia perturbadora entre eles.
A relação se torna cada vez mais
doentia. António força Tertuliano a trocar de lugar com ele por um fim de
semana, usando suas roupas, documentos e até indo ao encontro da esposa de
António, Helena, sem que ela saiba da troca. O plano resulta em consequências
trágicas.
António, fingindo ser Tertuliano,
sofre um acidente de carro fatal ao lado de Maria da Paz, namorada de
Tertuliano. Para o mundo, quem morre é Tertuliano; quem sobrevive passa a viver
definitivamente como António Claro.
No final do romance, quando o
protagonista parece resignado à nova identidade, ele recebe um telefonema:
existe outro homem idêntico a ele. O ciclo recomeça, sugerindo que a duplicação
é infinita.
O Homem Duplicado é menos sobre clones e mais sobre: a fragilidade da identidade; a solidão contemporânea; o medo de ser substituível; a vida como representação.
Saramago não oferece conforto —
ele provoca. O leitor termina o livro com a sensação de que poderia haver um
duplo de qualquer um de nós.

Nenhum comentário:
Postar um comentário