quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Resumo – O Homem Duplicado

“O Homem Duplicado"  explora a crise de identidade, o narcisismo e a monotonia da vida moderna através de um homem, Tertuliano Máximo Afonso (livro) , que descobre um sósia exato de si mesmo. A obra utiliza essa cópia para questionar a individualidade, o livre-arbítrio e o "bom senso".

Tertuliano Máximo Afonso é um professor de História, solitário, apático e emocionalmente distante da vida. Sua rotina muda quando, por sugestão de um colega, assiste a um filme banal e percebe que um dos atores secundários é fisicamente idêntico a ele, nos mínimos detalhes.

Inicialmente, Tertuliano tenta ignorar a descoberta, mas a ideia do duplo passa a dominá-lo. Ele aluga outros filmes do mesmo estúdio até confirmar que o ator existe de fato. Após uma investigação obsessiva, descobre o nome verdadeiro do homem: António Claro, que no cinema usa o pseudônimo Daniel Santa-Clara.

O contato entre os dois acontece com tensão e desconfiança. António Claro reage de forma mais dominante, exigindo estabelecer quem nasceu primeiro, pois acredita que o “original” tem mais direitos do que a cópia. A revelação de que António nasceu antes cria uma hierarquia perturbadora entre eles.

A relação se torna cada vez mais doentia. António força Tertuliano a trocar de lugar com ele por um fim de semana, usando suas roupas, documentos e até indo ao encontro da esposa de António, Helena, sem que ela saiba da troca. O plano resulta em consequências trágicas.

António, fingindo ser Tertuliano, sofre um acidente de carro fatal ao lado de Maria da Paz, namorada de Tertuliano. Para o mundo, quem morre é Tertuliano; quem sobrevive passa a viver definitivamente como António Claro.

No final do romance, quando o protagonista parece resignado à nova identidade, ele recebe um telefonema: existe outro homem idêntico a ele. O ciclo recomeça, sugerindo que a duplicação é infinita.

O Homem Duplicado é menos sobre clones e mais sobre: a fragilidade da identidade; a solidão contemporânea;  o medo de ser substituível; a vida como representação.

Saramago não oferece conforto — ele provoca. O leitor termina o livro com a sensação de que poderia haver um duplo de qualquer um de nós.

 


 

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